Desde o dia 20 de dezembro, quando uma tempestade causou infiltração e alagamento em dois dos três pavimentos do Arquivo Público Histórico de Santa Catarina, cerca de 20 servidores e voluntários se revezam numa operação conjunta para recuperar as mais de 84 mil páginas de documentos que foram molhadas pela água da chuva.

 

 

 Assim que perceberam o início da entrada de água, que escorria pelas luminárias do segundo andar do prédio, funcionários que estavam no local imediatamente acionaram o plano de emergência e retiraram a maior parte do arquivo, evitando que estragos ainda maiores acontecessem. Apesar disso,  alguns volumes muito antigos dos séculos XVIII e XIX foram atingidos. Mas ja estão em processo de recuperação.

 

 

De máscara, luva e com um bisturi em mãos, o servidor Luciano Von Fruhauf se parece mais com um médico do que com um historiador. Nesse caso, ele explica que a cirurgia é para salvar a vida de parte da História de Santa Catarina. Com muito cuidado, ele e os outros profissionais, cuidadosamente, retiram página por página dos volumes atingidos e, simultaneamente, as acondicionam entre folhas de papel toalha para que a umidade seja absorvida. Todo o trabalho acontece em ambiente climatizado a 16 graus, para evitar a proliferação de fungos que poderiam danificar ainda mais a estrutura do papel. O processo completo de secagem pode demorar até uma semana.

 

 

Das 84.872 páginas atingidas, quase metade já passou pelo processo de secagem. A técnica denominada de entrefolheamento foi repassada aos profissionais do Arquivo Histórico, pelo professor César Karpinski, do curso de Arquivologia da UFSC.

 

 

A coordenadora da atividade no setor Juçara Nair Wollf explica que somente depois da completa secagem do material é que acontecerá o processo de encadernação. ''O objetivo de tudo isso é aumentar a vida útil do papel. Já que o tempo e a forma de acondicionamento são imprescindíveis para a manutenção das estruturas gráficas e física dos materiais‘‘.    

 

 

Arquivo Histórico mudará de local

 

O Arquivo situado no bairro Saco dos Limões, em Florianópolis, guarda documentos que marcaram a vida e a atividade do serviço público de Santa Catrina desde o ano de 1700. São certidões, atestados, documentos manuscritos ou datilografados que registram movimentos importantes dos governos imperiais ou republicanos ao longo do desenvolvimento do Estado.  

 

Assim que tomou conhecimento da situação, o atual secretário de Estado da Administração, Jorge Eduardo Tasca, foi pessoalmente ao Arquivo Histórico conhecer a estrutura do local. Ele diz que o prédio está bastante danificado e que já não suporta mais o montante de documentos que abriga.‘‘Por isso, é imprescindível que o arquivo seja alocado em outro local. Já temos em vista alguns prédios em condições melhores que poderiam receber os arquivos, mas ainda não definimos o lugar mais apropriado. Assim que tivermos o melhor endereço, faremos a mudança imediatamente,‘‘ disse.

 

Assista ao vídeo da servidora Juçara que explica detalhadamente o processo de recuperação dos documentos.

CLIQUE AQUI

 

Assessoria de Comunicação SEA